A EXCELÊNCIA DE BERGMAN

Sérgio Rizzo

 

Ao lado do japonês Akira Kurosawa (1910-1998) e do italiano Federico Fellini (1920-1993), Ingmar Bergman formou uma espécie de “santíssima trindade” do cinema de autor no pós-guerra.

A imprensa e a crítica internacional os instalou nesse Olimpo com base na capacidade que seus filmes demonstravam de conciliar uma perspectiva singular do mundo com o trânsito em uma faixa de mercado mais ampla do que a oferecida por festivais e salas alternativas.

Não parece acidental que os três tenham sido generosamente agraciados com o Oscar de filme estrangeiro e com indicações nas categorias de direção e roteiro. A indústria norte-americana, em sua maneira peculiar de hierarquizar obras e profissionais, reconhecia dessa forma um grau de excelência a ser homenageado.

Era o tal “cinema de qualidade”, nomenclatura que se refere, nesse contexto, a estruturas narrativas originais (ou que parecessem originais a parcela do público) empregadas para explorar temas “nobres” em filmes ao alcance de platéias adultas que não fizessem parte da categoria de ratos de cineclubes e cinematecas.

Revelador desse prestígio, em relação a Bergman e a Fellini, é o comportamento do cineasta norte-americano Woody Allen ao mimetizá-los em alguns de seus filmes que já vão se tornando “clássicos”, como “Interiores” (1978) e “Memórias” (1980), entre outros.

Certa vez, Allen admitiu que gostaria mesmo era de fazer filmes como os de Bergman – que, em resposta que talvez significasse mais do que apenas retribuição bem-humorada à gentileza do colega, disse que adoraria ser capaz de fazer filmes como os de Allen.

Dois livros autobiográficos permitem que se investigue a trajetória e o pensamento de Bergman em busca de respostas para esse suposto desconforto entre artista e sua obra: Lanterna Mágica (1987) e Imagens (1990).

“Toda a educação que eu e meus irmãos recebemos baseava-se praticamente em conceitos relacionados com pecado, confissão, castigo, perdão, indulgência, conceitos comuns nas relações entre pais e filhos, e que incluíam a idéia de Deus”, lembra o cineasta, no primeiro livro, em sua franca reconstituição da infância.

No final, depois de recapitular os principais momentos da carreira no teatro, no cinema e na televisão, menciona a descoberta de notas escritas pela sua mãe na conturbada semana em que nasceu, e empresta uma frase dela para encerrar as memórias: “A vida é assim mesmo: cada um tem de se arranjar o melhor que puder”.

Em Imagens, que reúne comentários sobre seus principais filmes, há uma epígrafe devastadora, retirada de uma anotação de agenda de trabalho de 1964: “Minha peça começa com o ator que desce à platéia, estrangula um crítico e, de um livrinho preto, lê todas as humilhações que sofreu e de que tomou nota. Depois vomita sobre o publico. Em seguida, afasta-se e dá um tiro na cabeça.”

Imagine isso como um filme de Woody Allen.

 

DESTAQUES


ENTREVISTA COM CRISTINA LEIFER

Eu sempre me senti seduzida pelos filmes de Bergman. A atuação irretocável dos atores e os roteiros geniais me hipnotizavam. O primeiro filme de Bergman a que assisti foi O Sétimo Selo, fiquei pensando nesse jogo de vida e morte durante muito tempo e constatei que esse duelo também aparecia em outros filmes.

 

 

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ENTREVISTA COM AIMAR LABAKI

Na mesma medida em que outros encenadores a usam – vide Christiane Jatahy e Enrique Dias, dois dos diretores a quem mais admiro. É claro que o fato de ser originalmente um filme escrito e dirigido por um homem de teatro – e Bergman, antes de tudo, era um homem de teatro – leva a que se incorpore o uso do audiovisual de forma mais natural.

 

 

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