E PUR SI MUOVE…

 

Por Cristina Leifer

 

“Bergman no Teatro” é a realização de um sonho! Ouvi muitas pessoas dizerem que Bergman era só para um "público inteligente”, com aspas para mostrar o tom irônico da expressão.

 

Eu respondo afirmando que Bergman é para um público sensível, humano e que pensa.

 

Sim, pensar é uma das premissas para assistir aos filmes de Bergman ou ouvir seus textos vociferados por atores no teatro.

 

Longe do psicologismo raso, em sua rica filmografia Bergman nos coloca frente a frente com a nossa subjetividade, com os nossos vazios, como se estivéssemos em frente a um espelho e nos víssemos até às vísceras. E levar os roteiros dos seus filmes para o teatro é um prazeroso desafio.

 

Teatro é o lugar do encontro. E através dele pude encontrar muitas coisas. E a principal delas é o reconhecimento da importância de dois lindos encontros na arte, vivamente humanos, que são: o dos atores no palco e o dos atores com o seu voyeur, o público. Belos encontros vivos, em movimento, habitando o tempo presente, entre os artistas, a sua obra e o seu fruidor.

 

Quando eu faço teatro, faço para que as pessoas, sejam elas os próprios artistas ou o público, se encontrem com a sua sensibilidade, a sua humanidade e seus questionamentos. Inclusive, conheço muitas pessoas que nunca frequentaram uma universidade ou, até mesmo, uma

escola, e que transbordam em sensibilidade, humanidade e questionamentos. E convidadas ao ato de pensar, podem articular ideias, enxergar o mundo de forma crítica, alimentar a sua curiosidade sobre o que existe além da superfície das coisas e além de si mesmas.

 

Por tudo isso, os textos e as imagens de Bergman colocam-me em questionamento constante sobre o meu papel como artista em uma sociedade que beneficia o “ter” no lugar do “ser”. E “ser” artista de teatro em nosso mundo hoje é um ato político. Insistir em “ser” no lugar de “ter” é um ato político. É resistência. Não preciso criar slogans, nem levantar bandeiras, apenas faço Teatro.

 

“Bergman no Teatro” teve a sorte de contar com a parceria de pessoas incríveis. Pessoas que privilegiam o “ser” no lugar do “ter”. Pessoas que pensam e fazem Teatro. Pessoas que transbordam sensiblidade, humanidade e pensamento crítico.

 

E pur si muove...   

 

O QUE É

 

 

O projeto Bergman no Teatro consiste na realização de montagens teatrais dos roteiros escritos para o cinema pelo diretor sueco Ingmar Bergman. A primeira versão teatral, Sonata de Outono, estreia em maio de 2014, no Teatro Martim Gonçalves – Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia, em Salvador, onde cumpre temporada até 1º de junho.


O projeto conta com a anuência da Fundação Ingmar Bergman, na Suécia, e tem como objetivo fomentar discussões acerca da condição humana, pautadas pelos temas abordados nos filmes de Bergman, notadamente os conflitos que permeiam as relações interpessoais, no âmbito familiar e social.


Por isso, Bergman no Teatro, através do apoio cultural da Universidade Federal da Bahia, Fundação de Apoio à Pesquisa e à Extensão e da Escola Brasileira de Psicanálise, engloba atividades reflexivas (cursos, debates, produção de textos) e de fruição (exibição de filmes), numa interface entre linguagens artísticas e outros campos de conhecimento, tendo sempre como referência a obra do diretor.    

 

QUEM SOMOS

 

 

O projeto Bergman no Teatro é uma iniciativa da Leifer Produções Artísticas , que realiza espetáculos de teatro, dança música e literatura, além de projetos de arte-educação e atividades de reflexão, como palestras e seminários. Cristina Leite Dantas, em artes Cristina Leifer, é atriz, psicóloga, produtora cultural e pesquisadora. Doutora em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), graduou-se em Psicologia pela mesma instituição e especializou-se em Teoria Psicanalítica de Orientação Lacaniana pela Escola Brasileira de Psicanálise.

 

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